
Nós vamos invadir sua praia
Os homens que se cuidem. Hoje em dia, dizer que as mulheres possuem representantes em quase todas as profissões, não é novidade nenhuma. No entanto, nos últimos anos, a força de trabalho feminina atingiu um novo patamar: elas estão "invadindo algumas praias masculinas" e chegam a dominar diversos setores do mercado.
Áreas como arquitetura e comunicação, antes reduto masculino, têm hoje as mulheres como maioria. Aos poucos, elas deixam as profissões tradicionalmente do “sexo frágil”, como psicologia e pedagogia, para avançar em outros campos, colocando o preconceito para escanteio.
Segundo dados do Ministério do Trabalho, a incorporação das mulheres entre 25 e 49 anos à força de trabalho cresce ao ritmo de 3,4% ao ano. Esta tendência pode ser percebida também no número de inscritos na Fuvest, maior vestibular do País: em 2000, 53,6% dos inscritos eram mulheres, principalmente nas áreas de humanas e biológicas.
Ainda de acordo com o ministério, em 1996, as mulheres eram 53,5% do total de arquitetos do Brasil. Apesar disso, elas ainda não possuem a maioria dos cargos de chefia. Uma pesquisa do Crea (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo) mostrou que ainda há preconceito em relação ao sexo, sendo que os homens têm mais oportunidades profissionais. Mas a tendência é que este quadro mude.
Em outras profissões, a participação das mulheres também têm crescido de forma significativa. De acordo com uma pesquisa da Fundação Carlos Chagas, na área de direito, o percentual de mulheres entre procuradores e consultores jurídicos era de 38% em 1990. Seis anos depois, elas subiram para 42%. Já na pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada da Universidade de São Paulo (IPEA/USP), as mulheres já são 37,9% do total de médicos e 35,9% dos advogados, juízes e promotores.
Elas ganharam espaço até mesmo nos redutos mais machões - como as linhas de montagem de montadoras, metalúrgicas e indústrias químicas. Entre 1985 e 1997, a presença das mulheres neste setor cresceu 1,3% ao ano, geralmente em áreas que demandam manuseio delicado e não força física. É o caso da Metaltex, em São Paulo, que possui três linhas de produção distintas.
Na primeira, de montagem de componentes eletromecânicos, as mulheres dominam o ambiente, pois o serviço pede dedos ágeis. Na segunda, de estamparia, há apenas homens, pois o trabalho braçal predomina. Já na terceira, de injeção de plástico, há funcionários de ambos os sexos, pois o processo é bem exercido tanto por mulheres quanto por homens. “Na montagem, usamos este sistema porque cada sexo se adapta melhor a uma função”, explica Carlos Muller, superintendente da empresa.
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